US economic outlook: A fraqueza do emprego em setembro deve ser sazonal, enquanto a inflação persistente mantém o Federal Reserve em trajetória hawkish
O Bank of America prevê alta de 60k nas payrolls de setembro, abaixo do consenso, mas argumenta que a reversão sazonal, e não a piora do mercado de trabalho, explicará o resultado. Mantém a previsão de duas altas adicionais de 25bp do Federal Reserve em outubro e dezembro, diante do crescimento sólido e da inflação acima da meta.
Resumo
O Bank of America prevê alta de 60k nas payrolls de setembro, abaixo do consenso, mas argumenta que a reversão sazonal, e não a piora do mercado de trabalho, explicará o resultado. Mantém a previsão de duas altas adicionais de 25bp do Federal Reserve em outubro e dezembro, diante do crescimento sólido e da inflação acima da meta.
- As payrolls de setembro são projetadas em 60k, abaixo do consenso, enquanto o crescimento subjacente do emprego é estimado em 100k+.
- A inflação PCE de agosto é projetada em 0.4% m/m no índice cheio e 0.3% m/m no núcleo; revisões metodológicas devem reduzir as leituras anuais em cerca de 0.2 pontos percentuais.
- O acompanhamento do PIB de 3Q permanece em 3.0% q/q SAAR, apoiado por consumo e investimento apesar da produção industrial mais fraca.
- O relatório espera duas altas adicionais de 25bp do Federal Reserve em outubro e dezembro de 2026.
Interpretação do relatório
Visão geral
Este relatório macro semanal dos Estados Unidos argumenta que um dado fraco de payrolls em setembro não deve ser interpretado como deterioração ampla do mercado de trabalho. A instituição vê demanda resiliente, inflação persistente e um ambiente hawkish do Federal Reserve, sustentando sua previsão de novas altas em outubro e dezembro.
Visões principais
O Bank of America prevê aumento de 60k nas payrolls não agrícolas de setembro, incluindo 50k no setor privado, abaixo do consenso e ante 162k em agosto. Argumenta que a aparente fraqueza refletirá sobretudo a reversão do ajuste sazonal excepcionalmente favorável de agosto, e não perda de impulso subjacente. O crescimento não ajustado sazonalmente em agosto foi menor que um ano antes, mas o ajuste sazonal ficou próximo de zero neste ano, versus uma subtração de 178k em agosto de 2025, permitindo que a maior parte do ganho passasse ao número principal. Pedidos de seguro-desemprego benignos, leituras de ADP em melhora e indicadores trabalhistas mais amplos levam o relatório a estimar crescimento subjacente do emprego em 100k+. O relatório espera ampliação das contratações entre setores mesmo que o número principal seja fraco. A construção deve registrar um sétimo ganho mensal consecutivo, apoiada por investimento relacionado a data centers; o impulso na indústria manufatureira é ligado à demanda firme, gastos em defesa, menor incerteza tarifária e investimento relacionado a AI. Serviços profissionais e empresariais adicionaram empregos por oito meses consecutivos após contraírem em 10 de 12 meses de 2025; o relatório interpreta a melhora como normalização após a sobrecontratação de trabalhadores administrativos na pandemia, e não apenas como deslocamento por AI. Educação e saúde devem registrar ganhos estáveis por demografia e adoção mais lenta de AI, enquanto comércio e transporte podem ser apoiados pelas fortes importações de bens em 2Q. Lazer e hospitalidade e educação de governos locais devem desacelerar após responderem por parcela relevante da surpresa positiva de agosto. A suspensão da autorização de trabalho relacionada ao TPS para nacionais haitianos pode afetar o mercado de trabalho. Cerca de 200k detentores haitianos de TPS são estimados como participantes da força de trabalho dos EUA, com maior exposição em alimentação, saúde, transporte e armazenagem e varejo. O cenário-base prevê efeito gradual durante meses, como leve obstáculo ao crescimento das payrolls e à participação, amortecido por status legais alternativos, ajuste dos empregadores e escassez de mão de obra, com pouco impacto sobre a taxa de desemprego. Um impacto em setembro maior que o esperado permanece risco de baixa. A taxa de desemprego é projetada em 4.1% pelo terceiro mês, embora a reversão do salto de 569k no emprego domiciliar de agosto possa elevá-la a 4.2%; o relatório afirma que mesmo esse resultado seria coerente com condições subjacentes saudáveis. A participação é projetada em 61.6%, as horas semanais médias em 34.4 e os ganhos horários médios em 0.3% m/m. Quanto à inflação, o relatório prevê PCE cheio de agosto em 0.4% m/m e PCE núcleo em 0.3% m/m. Revisões no tratamento de gestão de portfólio, software e acessórios de computador e serviços jurídicos devem reduzir a inflação anual cheia e núcleo em cerca de 0.2 pontos percentuais, resultando em projeções de 3.6% para o cheio e 3.2% para o núcleo. A instituição não espera que as revisões alterem a trajetória de política no curto prazo, pois o Federal Reserve provavelmente já as considerava. Vê inflação subjacente próxima de 2.5%, com pouco progresso no último ano; preços mais altos de energia e alimentos, investimento relacionado a AI, restrições na oferta de trabalho, incerteza comercial, a guerra no Irã e choques de oferta climáticos deixam os riscos inclinados para cima. O crescimento segue resiliente segundo o relatório. Sua estimativa de acompanhamento do PIB de 3Q permanece em 3.0% q/q SAAR, e a de 2Q em 1.8%. Produção industrial abaixo do esperado elevou o acompanhamento de consumo e investimento em estruturas, mas reduziu a estimativa de investimento em equipamentos; vendas de casas novas mais fortes e revisões do mês anterior elevaram o acompanhamento do investimento residencial. A instituição reduziu sua previsão de crescimento 4Q/4Q de 2026 em 20 pontos-base para 2.1%, pois petróleo mais caro e menores perspectivas de reabertura plena do Estreito de Ormuz devem reduzir marginalmente o consumo real e os gastos de capital. Ainda assim, identifica investimento relacionado a AI e gastos do consumidor como motores-chave da demanda e espera crescimento sólido em seu horizonte de previsão. Dados de cartões do Bank of America mostraram gasto total por domicílio 6.9% y/y maior na semana encerrada em 19 de setembro, enquanto os ativos das famílias superaram 10 vezes os passivos em 2Q pela primeira vez em seis décadas; mesmo queda de 20% das ações deixaria a relação em 9.5. A conclusão de política é explicitamente hawkish. Após a alta de 25bp do Federal Reserve em setembro, o relatório cita crescimento mais forte, inflação mais alta e menor desemprego no SEP, além da ênfase do presidente Warsh de que o trabalho sobre inflação não está concluído. Os mercados precificavam quase 100bp de altas no próximo ano e quase 75% de probabilidade de uma alta em outubro. A instituição considera o CPI de setembro mais importante que as payrolls para a decisão de outubro e mantém a previsão fora do consenso de altas de 25bp em outubro e dezembro. Também observa que as despesas líquidas de juros do governo federal alcançaram recorde de 3.3% do PIB em 2Q 2026, mas argumenta que os yields longos talvez precisem subir significativamente mais antes que Washington adote disciplina fiscal.
Estrutura de análise
O relatório separa efeitos sazonais temporários da demanda subjacente por trabalho comparando padrões de payrolls ajustados e não ajustados sazonalmente, pedidos de seguro-desemprego, dados de ADP e contratações setoriais. Em seguida, combina previsões de inflação, desenvolvimentos de política, acompanhamento do PIB a partir de dados de atividade recebidos, dados de gastos e medidas do balanço das famílias para avaliar crescimento e perspectivas do Federal Reserve.
Notas metodológicas
Análise de ajuste sazonal
O relatório compara variações de payrolls ajustadas e não ajustadas sazonalmente para argumentar que o dado principal de agosto recebeu impulso incomum e que setembro pode apresentar uma reversão mecânica.
Estimativa de acompanhamento do PIB
A instituição agrega mecanicamente os dados recebidos que informam diretamente os cálculos de PIB da BEA; distingue essa medida de acompanhamento em tempo real de sua previsão oficial de PIB.
Dados principais
- Previsão de payrolls não agrícolas de setembro60kAbaixo do consenso; ante 162k em agosto.
- Estimativa de crescimento subjacente do emprego100k+Baseada em pedidos de seguro-desemprego, ADP e indicadores mais amplos do mercado de trabalho.
- Previsão da taxa de desemprego de setembro4.1%Há risco de alta para 4.2% se a força do emprego domiciliar de agosto se reverter.
- Previsão de inflação PCE de agosto0.4% m/m headline; 0.3% m/m coreRevisões metodológicas devem reduzir as leituras anuais do índice cheio e do núcleo em cerca de 0.2 pontos percentuais.
- Previsão anual de PCE de agosto3.6% headline; 3.2% coreReflete as revisões metodológicas esperadas.
- Acompanhamento do PIB de 3Q 20263.0% q/q SAARSem mudança; o acompanhamento de 2Q permanece em 1.8% q/q SAAR.
- Previsão de crescimento 4Q/4Q de 20262.1%Reduzida em 20 pontos-base ante a previsão de meados do ano.
- Despesa líquida federal com juros3.3% of GDP in 2Q 2026Recorde nos dados disponíveis desde 1984.
- Gasto com cartões por domicílio6.9% y/yNa semana encerrada em 19 de setembro.
Impacto e implicações
O relatório argumenta que uma leitura fraca de payrolls em setembro deve ser interpretada com cautela, pois efeitos sazonais podem ocultar a resiliência contínua do mercado de trabalho. Com inflação acima da meta e crescimento sólido, espera que o CPI, e não as payrolls, seja decisivo para a decisão do Federal Reserve em outubro e mantém sua previsão de duas altas adicionais de 25bp em 2026.
Riscos
- Mudanças nas autorizações de trabalho relacionadas ao TPS podem ter efeito negativo maior que o esperado sobre as payrolls e a participação laboral de setembro.
- A taxa de desemprego pode subir para 4.2% se o forte aumento do emprego domiciliar de agosto se reverter.
- Os riscos de inflação são inclinados para cima por preços de energia e alimentos, investimento relacionado a AI, oferta de trabalho restrita, incerteza comercial, a guerra no Irã e choques de oferta climáticos.
Pontos a observar
- Payrolls de setembro, payrolls privadas, desemprego, participação, horas semanais e crescimento salarial.
- Inflação PCE de agosto e as revisões metodológicas dos componentes do PCE.
- CPI de setembro, que o relatório considera mais importante que as payrolls para a decisão do Federal Reserve em outubro.
- Revisões do PIB de 2Q, comércio de bens, estoques, gastos de construção, ISM manufatureiro e dados do consumidor para o acompanhamento do PIB.