US monetary policy, neutral rate, and macroeconomic outlook: A UBS questiona se um único juro neutro pode orientar a política em uma economia dos EUA desequilibrada e impulsionada por AI.
A UBS argumenta que investimento ligado a AI e efeitos de riqueza sustentam o crescimento, enquanto setores sensíveis a juros estão fracos, tornando o r-star uma âncora pouco confiável para o FOMC. A instituição espera revisões que reduzam a inflação core PCE medida e prevê 95K vagas não agrícolas em setembro.
Resumo
A UBS argumenta que investimento ligado a AI e efeitos de riqueza sustentam o crescimento, enquanto setores sensíveis a juros estão fracos, tornando o r-star uma âncora pouco confiável para o FOMC. A instituição espera revisões que reduzam a inflação core PCE medida e prevê 95K vagas não agrícolas em setembro.
- A UBS estima que o impulso de AI respondeu por mais de todo o crescimento real do GDP nos últimos quatro trimestres, enquanto o restante da economia contraiu 0.7%.
- A revisão anual das contas nacionais pode reduzir a inflação core PCE medida de agosto em cerca de 0.18 percentage point com as novas metodologias.
- A UBS prevê 95K vagas não agrícolas em setembro, desemprego de 4.08% e alta mensal de 0.21% nos ganhos médios por hora.
- A instituição retirou sua previsão de corte em junho de 2027 e agora espera duas altas adicionais neste ano, seguidas por manutenção prolongada.
Interpretação do relatório
Visão geral
Este relatório macroeconômico semanal dos EUA avalia se há uma taxa neutra de política significativa diante de investimento liderado por AI, fraqueza em setores sensíveis a juros, inflação elevada e choques recorrentes de oferta. A UBS conclui que o nível atual de juros pode ser suficiente para levar a inflação à meta ao longo do tempo, mas o mecanismo, a velocidade desejada de desinflação e a função de reação do FOMC permanecem incertos.
Visões principais
A UBS argumenta que o conceito usual de r-star, uma taxa real única que equilibra produto e inflação, não se ajusta à economia americana atual. Uma só taxa overnight não consegue compensar a inflação do petróleo, desacelerar o capex de AI e evitar aumento da renda de juros dos domicílios mais ricos. A estimativa Laubach-Williams para 2026Q2 foi de 1.65%, mas a UBS entende que desequilíbrios setoriais, choques mutáveis e diferentes sensibilidades aos juros impedem a existência de uma taxa de equilíbrio única para toda a economia. As projeções de setembro do FOMC aumentam a ambiguidade: o ponto médio da taxa de política no fim do horizonte estava 1.6 percentage points acima da inflação e 0.4 percentage points acima da mediana de longo prazo. A UBS contesta a tese de que maior crescimento potencial elevou o r-star. O crescimento populacional desacelerou, a participação na força de trabalho caiu e a produtividade avançou somente 1.27% anualizado nos últimos três trimestres, abaixo da tendência pré-Covid de aproximadamente 1.6% e dos ritmos acima de 2.5%-3% de regimes de alta produtividade. O GDP real cresceu 2.1% nos quatro trimestres até Q2 mesmo com o impulso de AI, em parte porque grande parcela dos equipamentos de AI é importada. A UBS não vê evidência de crescimento potencial que justifique uma taxa neutra mais alta. A evidência central é a divergência extrema entre atividade relacionada a AI e o restante da economia. O investimento residencial contraiu em quatro dos últimos cinco trimestres; os preços reais de moradia caem; e o investimento em estruturas não residenciais caiu em nove dos dez trimestres anteriores. O investimento em equipamentos fora de processamento de informação e de insumos para data centers caiu 1.5% em termos anuais. Em contraste, a manufatura de alta tecnologia cresceu 12.5% até agosto e os outros 97% da manufatura avançaram somente 0.3%. A UBS estima que cada 1 percentage point de contribuição do investimento fixo empresarial ligado a AI ao crescimento do GDP real gera outra contribuição de 0.5 percentage point dos demais componentes de investimento fixo empresarial. A UBS considera que o investimento ligado a AI e o efeito riqueza acionário são menos claramente sensíveis a juros do que habitação e investimento tradicional. Os 20% superiores de renda têm ativos líquidos cerca de um desvio-padrão acima da norma pré-Covid, e os 10% superiores detêm a maior parte da riqueza em ações; juros mais altos, portanto, aumentam a renda de juros de um grupo que sustenta o consumo. Os 80% inferiores têm baixa poupança e os 90% inferiores detêm sobretudo riqueza imobiliária em queda real. A UBS estima que o impulso de AI respondeu por mais de todo o crescimento do GDP real nos últimos quatro trimestres, com o restante da economia contraindo 0.7%. Se o investimento em AI desacelerar, há pouco apoio alternativo ao crescimento; se a inflação for reduzida pelo canal tradicional do mercado de trabalho, um coeficiente de Phillips de 0.3 implicaria desemprego de 8% para levar a inflação de acima de 3% a 2%. A UBS espera que a atualização anual das contas nacionais em 30 de setembro revise os dados desde Q1 2021 e altere a leitura recente de inflação e atividade. Novas metodologias de preços para gestão de portfólios, software e serviços jurídicos reduziriam a inflação core PCE de agosto em 0.18 percentage point frente ao método antigo, para 3.18% em 12 meses, abaixo da leitura recente de 3.34%. A UBS alerta que os detalhes não foram divulgados, o efeito não será uma queda uniforme e revisões baixistas atuais podem ser compensadas por revisões altistas em 2022-24. No cenário de política de curto prazo, a UBS elevou sua previsão de CPI cheio de setembro para 0.54% mensal e 3.61% anual por causa dos preços de energia, mantendo 0.18% mensal e 2.40% anual para CPI core. Retirou sua previsão de corte em junho de 2027 e agora espera duas altas neste ano e manutenção prolongada, com riscos inclinados para cima. Ainda assim, considera que a taxa atual é suficiente para devolver a inflação à meta e duvida que quatro altas adicionais sejam necessárias. A maior incógnita é se a política pretende frear capex de AI, avaliações acionárias, expectativas de inflação ou demanda mais ampla. A UBS prevê um relatório de emprego de setembro razoavelmente forte: 95K vagas não agrícolas, 90K privadas e 5K públicas; desemprego de 4.08%; ganhos horários médios de 0.21% mensal e 3.1% anual; e semana de trabalho de 34.3 horas. Pedidos baixos de seguro-desemprego apoiam a previsão, mas medidas de contratação continuam fracas. A UBS estima que os ganhos divulgados estão superestimados em 10K-20K por mês, deixando um ritmo fundamental perto de 55K, e alerta para incerteza sazonal elevada devido ao calendário tardio do Labor Day. Outros dados indicam resiliência desigual. Após alta de 1.6% em pedidos de bens de capital core em agosto, a UBS elevou o acompanhamento de investimento em equipamentos de Q3 para 20.1% e de GDP real para 3.1%. Espera alta de 1.0% no gasto nominal, 0.6% no gasto real e 0.4% na renda nominal em agosto. A habitação segue fraca: a oferta era de 8.5 meses e o preço mediano de casas novas caiu 5.8% em 12 meses. As taxas hipotecárias de 7.12% da MBA e 7.03% da Freddie Mac podem apertar ainda mais a acessibilidade. A UBS também destaca riscos energéticos e de política. Brent estava em $106 per barrel em 25 de setembro, acima do piso recente de $79; gasolina regular estava em $4.49 per gallon e diesel em $6.50 per gallon. Uma proibição de exportação de diesel poderia reduzir o preço doméstico no curto prazo, mas também reduzir a utilização de refinarias, a produção de gasolina e combustível de aviação, a demanda por petróleo e a receita de produtores, além de pressionar margens de diesel renovável e preços da soja. A trégua comercial entre EUA e China foi estendida até 10 de janeiro de 2027, enquanto um pacote econômico mais amplo continua em negociação.
Estrutura de análise
A UBS primeiro testa o conceito de taxa neutra com base em transmissão setorial e evidência de crescimento potencial, depois separa a atividade entre componentes ligados e não ligados a AI. Combina divulgações macroeconômicas, pesquisas, dados de balanços das famílias, comunicações de política e acompanhamento de previsões, ajustando explicitamente a interpretação para revisões metodológicas, sazonalidade e incerteza de versões de dados.
Notas metodológicas
Discussão de taxa neutra por meio do equilíbrio entre investimento-poupança e mercados monetários.
A UBS descreve r-star como a taxa compatível com produto de equilíbrio e condições monetárias, e argumenta que essa estrutura de taxa única é insuficiente quando setores respondem de maneira diferente à política.
Uso de coeficiente da curva de Phillips de 0.3 para ilustrar o custo de emprego de uma desinflação mais rápida.
A UBS usa a relação entre folga no mercado de trabalho e inflação para mostrar por que reduzir inflação acima de 3% para 2% por restrição convencional de demanda pode ser doloroso.
Efeitos de transbordamento do investimento ligado a AI sobre investimento não tecnológico.
A UBS estima que o capex de AI sustenta a demanda de outras categorias de investimento, separando o impulso direto de AI dos efeitos domésticos mais amplos.
Dados principais
- Estimativa Laubach-Williams da taxa real de política1.65%Estimativa de 2026Q2 citada pela UBS em sua discussão de r-star.
- Contribuição da economia não ligada a AI-0.7%Estimativa da UBS para o restante da economia nos últimos quatro trimestres; o impulso de AI contribuiu mais que todo o crescimento do GDP.
- Previsão de inflação core PCE de agosto após mudança metodológica3.18%Em 12 meses; estimada 0.18 percentage point abaixo do resultado do método anterior e abaixo da leitura recente de 3.34%.
- Previsão de emprego não agrícola de setembro95K90K privado e 5K público; a UBS aponta incerteza sazonal excepcionalmente elevada.
- Previsão de taxa de desemprego de setembro4.08%Queda de 6 basis points a partir de 4.14%.
- Acompanhamento de GDP real de Q33.1%Elevado após o relatório de bens duráveis de agosto.
- Preço do petróleo Brent$106 per barrelNa sexta-feira, 25 de setembro; acima de $79 em 4 de agosto.
Impacto e implicações
A UBS considera que a falta de uma âncora crível de taxa neutra torna as expectativas de política menos estáveis. O crescimento liderado por AI pode limitar a eficácia de mais aperto, enquanto habitação e investimento convencional já fracos carregam parcela maior da restrição; por isso, revisões de inflação, dados de emprego e comunicações do Fed serão decisivos para avaliar a trajetória da política.
Riscos
- Investimento ligado a AI ou riqueza acionária podem ser menos sensíveis a juros que setores convencionais, produzindo uma escolha de política mais dolorosa se o FOMC buscar desinflação mais rápida.
- Preços de energia e choques de oferta no Oriente Médio podem sustentar a inflação e ser difíceis de compensar com juros.
- As revisões anuais da BEA podem alterar materialmente inflação, renda e atividade medidas, gerando incerteza incomum para previsões de curto prazo.
- A elevação persistente dos rendimentos do Tesouro pode aumentar ainda mais as taxas hipotecárias e piorar a acessibilidade da habitação.
- Os dados de payroll de setembro enfrentam riscos elevados de ajuste sazonal, calendário e revisões posteriores.
Pontos a observar
- As revisões anuais de NIPA em 30 de setembro, especialmente as novas metodologias de preços PCE e seus efeitos sobre a inflação atual e histórica.
- Dados de inflação PCE, renda e gastos de agosto, seguidos pelo próximo CPI.
- O relatório de emprego de setembro, incluindo payroll, desemprego, salários, horas, revisões e efeitos de ajuste sazonal.
- Discursos do FOMC e sinais sobre se a política pretende conter capex de AI, avaliações acionárias ou demanda ampla.
- Preços de petróleo, gasolina e diesel; possível restrição à exportação de diesel; e a isenção da Jones Act.
- Se os efeitos de transbordamento do investimento ligado a AI continuam apoiando capex não tecnológico e crescimento mais amplo.