Global fixed-income markets — Interpretação do relatório
O relatório argumenta que os rendimentos longos mais altos dos Estados Unidos são uma oportunidade de compra, e não evidência de mudança duradoura nas expectativas de juros. A visão é acompanhada de seletividade em EM e preferência por financeiros e setores defensivos europeus em vez de cíclicos expostos à China.
Resumo
O relatório argumenta que os rendimentos longos mais altos dos Estados Unidos são uma oportunidade de compra, e não evidência de mudança duradoura nas expectativas de juros. A visão é acompanhada de seletividade em EM e preferência por financeiros e setores defensivos europeus em vez de cíclicos expostos à China.
- O HSBC espera que o rendimento do Treasury de 30 anos se consolide na faixa de4.0-4.5%, com o de 10 anos modestamente abaixo.
- As entradas estrangeiras na bolsa chinesa se reverteram; o PBoC cortou a taxa de reverse repo de 7 dias em10bp e a MLF de um ano em15bp.
- A dívida local e externa de EM havia perdido3.12% e2.8%, respectivamente, em agosto até então.
- O HSBC prefere financeiros europeus e setores defensivos a cíclicos diante do impacto da desaceleração chinesa no crédito europeu.
- As taxas curtas do Reino Unido já precificam risco hawkish significativo, apoiando a preferência por receber GBP 2Y1Y OIS.
Interpretação do relatório
Visão geral
Este relatório semanal global de renda fixa avalia se a alta dos rendimentos americanos está perto do limite e acompanha as implicações para México, Europa, China, EM, Reino Unido e covered bonds. O HSBC adota postura construtiva, porém cautelosa, em duração após a alta dos rendimentos e recomenda seletividade onde persistam riscos de expectativa de afrouxamento, oferta fiscal, inflação ou crescimento ligado à China.
Visões principais
O HSBC argumenta que a alta recente dos rendimentos dos Treasuries não decorre principalmente de uma reprecificação duradoura da trajetória do Fed. Dados americanos fortes e a leitura hawkish da ata de julho do FOMC elevaram o rendimento de 30 anos de4.25% para4.4%, mas os futuros de fed funds de fim de ano pouco mudaram e os futuros SOFR de dezembro de2024 voltaram a4.25% de menos de4% no início do mês. Assim, o HSBC atribui a alta longa mais a preocupações de liquidez ou oferta do que a mudança nas expectativas para o Fed. Os breakevens longos pouco se moveram. Com base em fundamentos e valuation de longo prazo, vê os rendimentos como oportunidade de compra, embora espere paciência e volatilidade. O HSBC espera o Treasury de 30 anos em consolidação entre4.0-4.5%, com o de 10 anos modestamente abaixo. Considera esse patamar um equilíbrio razoável após o Silicon Valley Bank. Expectativas de PIB nominal em torno de4% deveriam formar um teto suave para o forward5Y5Y, que terminou a semana em4.09%. As expectativas de inflação da Universidade de Michigan continuam altas, mas um único novo dado não deve mudar a visão do FOMC. Grandes movimentos podem aguardar a melhora da liquidez após o verão. No México, os maiores rendimentos dos Treasuries elevaram e inclinaram a curva local em padrão de bear steepening, sobretudo nos vencimentos longos. Leilões e trocas de dívida adicionais aumentaram a pressão de oferta. A expectativa de afrouxamento caiu para cerca de6bp na reunião de novembro, e o primeiro corte pode não ocorrer antes do fim do primeiro semestre de2024. Na zona do euro, o Bund de 10 anos oscilou entre2.46%-2.71% em agosto; a visão citada pelo HSBC previa queda para1.75% no fim de2023. Na China, entradas estrangeiras em ações após a reunião do Politburo de24 de julho se reverteram, pois o apoio de política continuava gradual e faltavam detalhes de relaxamento imobiliário nas cidades de primeira linha. O PBoC cortou a reverse repo de 7 dias em10bp e a MLF de um ano em15bp. O HSBC observa que a LPR de 5 anos inalterada não exclui alívio hipotecário: bancos podem reduzir taxas de hipotecas existentes, embora margens líquidas de juros estreitas restrinjam novos cortes. A LPR de um ano caiu10bp; a de 5 anos permaneceu inalterada. O HSBC diferencia títulos municipais chineses, emitidos explicitamente por governos locais, de títulos LGFV, que dependem de suporte implícito local. A diferenciação de crédito entre LGFVs aprofundou-se em2022, enquanto os spreads municipais permaneceram estreitos. Demanda por ativos seguros, provável moderação da oferta municipal e redistribuição de renda pelo governo central sustentariam esses spreads. Para LGFVs, o caminho viável seria rolar a dívida a menor custo e prazo mais longo; nem amortização líquida nem defaults generalizados seriam factíveis. A possível cota de RMB1.5trn para refinanciar parte da dívida LGFV foi mencionada, mas governos locais continuariam os principais responsáveis. O HSBC espera que a Europa seja mais afetada que os Estados Unidos pela demanda chinesa menor. Prefere defensivos e financeiros a automóveis, mineração, químicos e luxo; o excesso de produtos químicos chineses já reduziu preços e margens na Europa. Embora NPLs bancários devam aumentar, o risco parte de base baixa e está essencialmente precificado. O diferencial financeiro versus não financeiro era pouco mais de60bp, contra valor justo de cerca de30bp, e o HSBC reduziria a sobreponderação em financeiros à medida que o diferencial convergisse. A competição por depósitos é risco para margens, mas há folga após a expansão da NIM; nos Estados Unidos, fundos monetários tornam essa competição mais intensa. Em EM, o HSBC vê oportunidades de duração em alguns forwards longos de swaps, incluindo Hungria, Brasil, Polônia, República Tcheca, Israel e Coreia, onde parecem altos. Exceto África do Sul e República Tcheca, a maior parte estava abaixo do pico de2013. Ainda assim, recomenda seletividade: dívida local e externa de EM registrava-3.12% e-2.8% em agosto até então, liderada por América Latina e CEEMEA. Precificação de afrouxamento agressivo, resgates de fundos e sazonalidade fraca de agosto-setembro aumentam a cautela. Na Índia, forwards OIS de INR implicavam taxas overnight30bp acima da taxa de política até o fim do ano. O HSBC espera que o RBI prefira instrumentos de liquidez, incluindo a reserva de caixa incremental introduzida em agosto, a elevar juros diante dos alimentos; a ata do MPC de24 de agosto seria relevante. Na Tailândia, o déficit FY24 proposto era THB593bn; aumento relevante poderia pressionar títulos públicos. O HSBC esperava gabinete cerca de uma semana após apoio parlamentar e detalhes orçamentários cerca de um mês depois. No Reino Unido, o CPI cheio caiu para6.8%, mas inflação subjacente rígida e surpresa salarial altista foram interpretadas de forma hawkish. O mercado precificava outra alta em setembro e possibilidade de50bp. O HSBC vê sinais de efeito do aperto, incluindo alta inesperada do desemprego e indicadores de relaxamento laboral. Prefere receber GBP 2Y1Y OIS porque riscos hawkish de curto prazo já parecem bem precificados. A ideia tinha entrada de4.70%, alvo de3.80%, stop de5.40% e último nível de4.98% em21 de agosto. O mercado secundário de covered bonds permanecia pouco líquido, mas a emissão primária retornou cedo após o verão. Houve dois benchmarks com boa demanda, mais dois benchmarks EUR em21 de agosto e três novas emissões EUR e uma operação GBP previstas para22 de agosto. O HSBC vê forte necessidade de financiamento bancário, espera atividade intensa em setembro e outubro, mas menor oferta até o fim do ano devido ao pré-financiamento.
Estrutura de análise
O HSBC compara movimentos de rendimentos, futuros de juros, breakevens, forwards, spreads, expectativas de política, condições de emissão e indicadores macro. Em seguida, relaciona esses sinais a duração, curvas, setores de crédito e efeitos por país, distinguindo obrigações explícitas de governos chineses de risco de crédito quase soberano.
Notas metodológicas
Análise de níveis de rendimentos, curvas, futuros e forwards de Treasuries, Bunds e mercados locais.
O HSBC compara mudanças por vencimento e usa trajetórias implícitas de política e âncoras de longo prazo para avaliar excessos de rendimento e atratividade de duração.
Comparação entre spreads municipais e soberanos centrais e entre crédito financeiro e não financeiro europeu.
O relatório usa níveis de spread e convergência esperada para avaliar valor relativo de crédito e o efeito do risco de crescimento ligado à China.
Explicação por oferta e demanda dos spreads municipais chineses e da emissão primária de covered bonds.
O HSBC relaciona demanda por ativos seguros, oferta municipal limitada, necessidades de financiamento bancário e pré-financiamento às condições de preço e emissão.
Análise de margem líquida de juros sob competição por depósitos e cortes de taxas hipotecárias.
O relatório trata a pressão sobre NIM como restrição aos cortes de taxas de empréstimo na China e como possível proteção ou vulnerabilidade do crédito bancário europeu.
Mapeamento e comparação de ativos
Mapeamento estruturado da tese para ativos nomeados (pontos fortes, pontos fracos, pares e riscos).
- US TreasuriesO HSBC vê rendimentos mais altos como oportunidade de compra e espera consolidação antes de queda.
- Pontos fortes
- Fundamentos e valuation de longo prazo apoiam a ideia de que os rendimentos subiram o suficiente.
- Pontos fracos
- A negociação de curto prazo pode permanecer volátil até haver maior clareza sobre economia e liquidez.
- Comparação
- O movimento é mais consistente com preocupações de liquidez ou oferta do que com mudança material nas perspectivas do Fed.
- Riscos
- Expectativas de inflação seguem acima de níveis compatíveis com os objetivos do FOMC.
- European financial creditPreferido ao crédito não financeiro cíclico europeu diante do risco de crescimento ligado à China.
- Pontos fortes
- O risco de NPLs parte de base baixa e é considerado essencialmente precificado; spreads superam o valor relativo justo estimado.
- Pontos fracos
- A competição por depósitos pode comprimir margens líquidas de juros.
- Comparação
- O HSBC prefere financeiros e defensivos a automóveis, mineração, químicos e luxo; o diferencial é pouco mais de60bp, contra valor justo de cerca de30bp.
- Riscos
- A desaceleração pode elevar NPLs e reduzir o colchão de lucros da margem líquida de juros.
- GBP 2Y1Y OISIdeia aberta para receber o segmento curto das taxas do Reino Unido.
- Pontos fortes
- O HSBC considera que o risco hawkish de curto prazo já está bem precificado.
- Comparação
- Entrada4.70%, alvo3.80%, stop5.40% e último nível4.98% em21 de agosto.
- Riscos
- Persistência da pressão inflacionária.
Dados principais
- Rendimento do Treasury americano de 30 anos4.25% to 4.4%Alta citada para a semana anterior; o HSBC espera consolidação em4.0-4.5%.
- Forward5Y5Y4.09%Nível no fim da semana anterior; expectativas de PIB nominal perto de4% seriam teto suave.
- Rendimento do Bund de 10 anos2.46%-2.71%Faixa de agosto; a visão citada previa1.75% no fim de2023.
- Cortes de taxa do PBoC7-day reverse repo -10bp; one-year MLF -15bpCortes implementados na semana anterior para baixar custos de financiamento.
- Possível cota de títulos municipaisRMB1.5trnEspeculação citada como apoio potencial ao refinanciamento de parte da dívida LGFV.
- Diferencial entre financeiros e não financeiros europeusJust over 60bp; fair value about 30bpO HSBC reduziria a sobreponderação em financeiros à medida que se aproximasse do valor justo.
- Retorno da dívida EM em agostoEM local debt -3.12%; EM external debt -2.8%Perdas de agosto até a data citadas no relatório.
- CPI cheio do Reino Unido6.8%Caiu na divulgação mais recente, mas inflação subjacente e salários permaneceram sinais hawkish.
- Déficit FY24 proposto pela TailândiaTHB593bnAumento material acima desse valor poderia pressionar os títulos públicos tailandeses.
Impacto e implicações
As conclusões do HSBC apoiam postura de duração cautelosa, porém construtiva, após a alta de rendimentos desenvolvidos, com discriminação em EM e crédito. A fraqueza ligada à China teria maior efeito sobre crédito cíclico europeu do que americano, e implementação de políticas, oferta fiscal e inflação definem os principais riscos regionais.
Riscos
- Expectativas de inflação americanas permanecem elevadas e podem sustentar preocupações de política monetária hawkish.
- O apoio de política chinês pode continuar decepcionando investidores, sobretudo se medidas imobiliárias seguirem pouco claras.
- Déficit FY24 tailandês maior que o proposto pode pressionar títulos públicos.
- Mercados EM podem seguir vulneráveis devido a afrouxamento agressivo precificado, aumento de resgates e sazonalidade fraca de agosto-setembro.
- Margens bancárias europeias podem sofrer se a competição por depósitos aumentar, reduzindo a proteção contra NPLs maiores.
- Inflação persistente no Reino Unido pode tornar o Banco da Inglaterra mais hawkish do que supõe a visão do HSBC para o segmento curto.
Pontos a observar
- Dados americanos, interpretação do FOMC, expectativas de inflação e retorno da liquidez em setembro.
- Medidas imobiliárias concretas na China, cortes de taxas hipotecárias e apoio ao refinanciamento de LGFV.
- Ata do MPC do RBI de24 de agosto para sinais sobre a avaliação de inflação na Índia.
- Formação do governo tailandês e tamanho e calendário do orçamento FY24.
- Dados de inflação e mercado de trabalho do Reino Unido antes da reunião do MPC no fim de setembro.
- Convergência de spreads entre financeiros e não financeiros europeus e competição por taxas de depósitos.
- Atividade primária de covered bonds em setembro e outubro.