Global emerging markets strategy: Citi vê oportunidades seletivas em EM após a tempestade, mas condições globais mais restritivas e crédito caro exigem cautela
O relatório considera que os fluxos para dívida em moeda local, fundamentos resilientes em mercados selecionados e oportunidades relativas em crédito soberano sustentam EM. Ainda assim, alerta para rendimentos reais dos Estados Unidos, inflação e vulnerabilidades fiscais.
Resumo
O relatório considera que os fluxos para dívida em moeda local, fundamentos resilientes em mercados selecionados e oportunidades relativas em crédito soberano sustentam EM. Ainda assim, alerta para rendimentos reais dos Estados Unidos, inflação e vulnerabilidades fiscais.
- A rápida alta dos rendimentos reais dos Estados Unidos é um risco macro de curto prazo para ativos de risco, embora Citi considere o ambiente atual diferente da venda de 2023.
- Fundos EM superaram em geral seus benchmarks, ajudados pela exposição a high yield, e os fluxos em moeda local foram importante suporte técnico.
- Spreads de crédito EM estão em mínimas de vários anos e a margem de valor relativo frente ao crédito dos Estados Unidos diminuiu.
- Citi mantém Overweight em Argentina, Venezuela e Ecuador, enquanto a perspectiva fiscal da Colombia impede uma visão mais construtiva.
- As visões por país vão de uma postura construtiva para KRW e fundamentos da Hungary à cautela com INR, títulos da Indonesia, inflação do Egypt e riscos de energia da Zambia.
Interpretação do relatório
Visão geral
O relatório de estratégia global de mercados emergentes da Citi avalia a interação entre taxas dos Estados Unidos, fluxos de capital, inflação, condições macro locais, FX e avaliações de crédito soberano. A conclusão central é que EM mantém suporte técnico e fundamental relevante, mas as oportunidades são cada vez mais seletivas com a alta dos rendimentos reais globais e avaliações de crédito menos favoráveis.
Visões principais
Citi concentra o risco macro de curto prazo nos rendimentos reais dos Estados Unidos. Maior crescimento de produtividade aumenta a demanda por capital e as expectativas de retorno sobre capital, associando-se empiricamente a taxas reais mais elevadas; ativos de risco tendem a sofrer quando os rendimentos reais de cinco anos sobem rapidamente. Contudo, o relatório entende que o atual processo de descoberta de preços de inflação difere da venda de 2023, de modo que a alta dos rendimentos reais é um risco, não uma repetição automática. Os fluxos de capital são um contrapeso importante. Citi diz que o retorno global à dívida em moeda local melhorou as condições de balanço de pagamentos de EM e classifica o ano como o segundo melhor da última década para entradas em EM. Fundos EM em geral superaram benchmarks, especialmente os de moeda forte com exposição a high yield. O relatório também acompanha impulsos fiscal e de conta corrente, condições monetárias e a possível liberação de caixa de fundos monetários dos Estados Unidos. A inflação limita o afrouxamento de política em EM. O relatório vê aceleração da inflação ao produtor e afirma que a persistência dos preços de energia aumenta o peso do PPI sobre CPI e expectativas de inflação. Em agosto de 2026, o CPI trimestral variou de South Africa 2.9%, Brazil 4.9%, Mexico 2.4%, India -0.8%, Indonesia 2.6%, Thailand 1.5% e Turkey 23.4%. Assim, os bancos centrais permanecem cautelosos, com condições entre neutras e restritivas. O relatório usa fatores de taxas além da análise macro. O fator de momentum privilegia momentum de ratio de Sharpe semanal e estratégias payer e de valor relativo. Os fatores de inflação usam sinais de sobre/subinflação e LatAm CSII; o de crescimento usa CESI. Backtests favoreceram payers em diversos prazos: no fator momentum, o PnL anual de payer de um ano foi 290 contra 113 para receiver, e em cinco anos foi 317 contra 17. Citi é construtiva com KRW, por termos de troca robustos, recuperação da moeda e conta corrente forte, e espera manutenção do ciclo de aperto do Banco da Coreia. India enfrenta ventos contrários para INR por piora dos termos de troca com energia mais cara. A balança de pagamentos da Indonesia continua desafiadora, com exportações estáveis, déficit básico esperado como o maior desde 2019, importações maiores e livro a prazo do banco central expandido; menores rendimentos de SRBI e spreads IndoGB-Treasury mais estreitos também tornam os títulos menos atraentes. Em CEEMEA, South Africa combina cenário fiscal favorável e inflação difícil; os fluxos recuperaram para ZAR92.2bn. Czech se beneficia da deflação de alimentos, mas a inflação de serviços permanece rígida. Hungary mostra melhora de crescimento, confiança e crédito, mas o desempenho fiscal é o teste da operação de convergência. Poland tem surpresas positivas e a curva mais inclinada da região; Citi vê flatteners curtos como interessantes antes de possível aperto, embora déficits acima de 7% of GDP dominem a narrativa. Na América Latina, o Copom do Brazil cortou 25bp em setembro, levando o afrouxamento de 2026 a 125bp e a taxa para 13.75%. Citi prevê GDP de 1.8% em 2026 e IPCA de cerca de 4.8%, mas aponta expectativas desancoradas. Mexico se beneficia da desinflação e pode se desacoplar da Fed, com previsão de crescimento de 1.4%, mas enfrenta pressão fiscal e prêmio de prazo alto. Na Colombia, o déficit de 2027 pode atingir 9.4% of GDP sem ajuste, apesar de GDP de 2Q26 ter acelerado para 3.5% por impulso fiscal. Nos mercados de fronteira, Egypt enfrenta inflação maior por energia e o banco central prevê retorno à meta apenas em H2 2027; importações de gás subiram 73% para USD6.0bn em H1. Nigeria se beneficia de melhor política monetária, FX mais flexível, petróleo e reservas de USD53.2bn, embora a inflação de alimentos acelere. A produção de cobre da Zambia subiu 0.45% para 447,182 tonnes em H1 2026, o cobre LME ganhou 15% no ano e as reservas chegaram a USD5.8bn, mas energia e El Niño seguem como riscos. Para crédito EM, Citi afirma que a primeira alta da Fed não amplia necessariamente os spreads; a pressão tende a ocorrer mais tarde com o aperto acumulado. Porém, spreads estão em mínimas de vários anos e o prêmio de EM sub-BB contra high yield dos Estados Unidos caiu de cerca de 400bp em 2023 para aproximadamente 40bp, reduzindo a margem de valor relativo. O posicionamento soberano é seletivo. Argentina e Ecuador negociam cerca de 100bp acima do valor justo implícito pelo rating; Citi mantém Overweight em Argentina, Venezuela e Ecuador. Argentina depende de disciplina fiscal e enfrenta recuperação fraca, eleições de 2027 e maiores amortizações. Venezuela é apoiada por petróleo, investimento externo e possível IMF, mas há incertezas de reestruturação e política. Ecuador é apoiado por melhora fiscal, IMF, liquidez e acesso ao mercado, mas El Niño, política e segurança são riscos. Colombia parece barata, mas Citi espera evidências de contenção de gastos, financiamento bem-sucedido e credibilidade fiscal antes de se tornar Overweight.
Estrutura de análise
Citi parte de rendimentos reais globais e liquidez, passa por fluxos EM, inflação e condições monetárias, e então aplica análise macro, de FX e de taxas por país antes de avaliar spreads soberanos e valor relativo. Combina comparações históricas, indicadores fiscais e de balanço de pagamentos, dados de curvas e fluxos e backtests de fatores.
Notas metodológicas
Análise de curva de juros, rendimento real e prêmio de prazo
O relatório usa rendimentos reais dos Estados Unidos, curvas de swap, inclinação de curva e prêmios de prazo para avaliar condições financeiras globais e oportunidades de taxas em EM.
Valor relativo de spreads soberanos e corporativos EM
Citi compara spreads EM com crédito investment grade e high yield dos Estados Unidos e compara spreads soberanos com valor justo implícito por rating.
Fatores de momentum, inflação e crescimento para taxas EM
O relatório apresenta sinais e backtests que usam momentum, sobre/subinflação e surpresas de crescimento para selecionar operações payer, receiver e de valor relativo.
Transmissão do aperto acumulado da Fed aos custos de financiamento
Citi usa ciclos anteriores de alta para mostrar que aperto persistente eleva custos de financiamento e pressiona spreads mais tarde no ciclo.
Mapeamento e comparação de ativos
Mapeamento estruturado da tese para ativos nomeados (pontos fortes, pontos fracos, pares e riscos).
- Argentina sovereign creditCiti mantém Overweight.
- Pontos fortes
- O compromisso com superávit fiscal continua sendo a âncora de crédito.
- Pontos fracos
- A recuperação ampla ainda não ocorreu e a premissa de crescimento real de GDP de 4% no orçamento de 2027 parece ambiciosa.
- Comparação
- Negocia cerca de 100bp acima do valor justo implícito pelo rating, entre os créditos LatAm mais baratos.
- Riscos
- Eleições de 2027, maiores amortizações externas, acumulação de reservas e necessidade de acesso ao mercado podem gerar volatilidade.
- Venezuela sovereign creditCiti mantém Overweight.
- Pontos fortes
- Maior produção de petróleo, investimento estrangeiro, normalização com os Estados Unidos e possível participação do IMF apoiam a capacidade de dívida.
- Pontos fracos
- É incerto quanto do fluxo incremental de petróleo chegará ao soberano.
- Riscos
- Transição política, prazo da reestruturação, financiamento não garantido do NABEP e questões de seniority de credores.
- Ecuador sovereign creditCiti mantém Overweight e destaca Ecuador 2034s após a venda.
- Pontos fortes
- Melhora fiscal, participação do IMF, liquidez, acesso ao mercado e economias da reforma do diesel.
- Pontos fracos
- Menor apoio político pode limitar reformas adicionais.
- Comparação
- Ecuador está entre créditos negociados cerca de 100bp acima do valor justo implícito pelo rating.
- Riscos
- El Niño, problemas de segurança, sensibilidade a combustíveis e volatilidade elevada.
- Colombia sovereign credit / COLTESCiti não se torna mais construtiva apesar das valorizações atraentes.
- Pontos fortes
- O crescimento de 2Q26 acelerou para 3.5%.
- Pontos fracos
- O ajuste fiscal e o financiamento orçamentário não foram resolvidos.
- Comparação
- Entre créditos LatAm baratos pelo valor implícito do rating, Colombia vem após Argentina e Ecuador.
- Riscos
- Déficit de 2027 de 9.4% of GDP sem ajuste, custos de juros altos, despesa rígida e dívida perto de 60% of GDP.
- Indonesian government bondsCiti considera os títulos menos atraentes.
- Pontos fracos
- Rendimentos menores de SRBI e spreads IndoGB-Treasury mais estreitos reduzem o carry em meio a dinâmica difícil de balanço de pagamentos.
- Riscos
- Déficit básico maior, conta de importações crescente e expansão do livro a prazo do banco central.
Dados principais
- Taxa de política do Brazil13.75%Após outro corte de 25bp do Copom em setembro; o afrouxamento acumulado de 2026 atingiu 125bp.
- Previsão de GDP do Brazil para 20261.8%Citi espera desaceleração para esse nível.
- Previsão de IPCA do Brazil no fim de 20264.8%Previsão citada com expectativas de inflação ainda desancoradas.
- Previsão de crescimento do Mexico no fim de 20261.4%Previsão revisada; espera-se recuperação em H2 2026.
- Crescimento de GDP da Colombia em 2Q263.5%O crescimento acelerou com forte impulso fiscal.
- Déficit fiscal potencial da Colombia em 20279.4% of GDPProjeção sem ajuste fiscal significativo.
- Reservas brutas da NigeriaUSD53.2bnNo fim de agosto de 2026; reservas líquidas eram USD34.3bn em dezembro de 2025.
- Produção de cobre da Zambia447,182 tonnesProdução de H1 2026, alta de 0.45% em relação ao ano anterior.
- Desempenho do cobre LME+15% YTDDá suporte às receitas de exportação da Zambia.
- Prêmio de EM sub-BB sobre high yield dos Estados UnidosApproximately 40bpCaiu de cerca de 400bp em 2023, indicando colchão de valor relativo bem menor.
Impacto e implicações
As conclusões da Citi favorecem uma postura seletiva, não ampla, em EM. Fluxos em moeda local, fundamentos nacionais favoráveis e rendimentos all-in elevados apoiam partes de EM, mas há pouco espaço para maior compressão de spreads e é necessário acompanhar aperto persistente da Fed, inflação de energia e riscos de financiamento fiscal.
Riscos
- Um ciclo persistente de alta da Fed pode elevar custos de financiamento, apertar condições financeiras globais e ampliar spreads de crédito EM.
- Pressão persistente de preços de energia e inflação ao produtor podem manter elevados o CPI e as expectativas de inflação em EM.
- As valorizações de crédito EM são vulneráveis, pois os spreads estão em mínimas de vários anos e os prêmios sobre crédito dos Estados Unidos comprimiram fortemente.
- Riscos de financiamento e ajuste fiscal são especialmente relevantes para Colombia, Poland e outros mercados de alto déficit.
- El Niño e choques de preços de energia representam riscos específicos para Ecuador e Zambia.
- Argentina, Venezuela e Ecuador enfrentam riscos políticos, eleitorais, de reestruturação ou de acesso ao mercado apesar das visões construtivas da Citi.
Pontos a observar
- O ritmo e a persistência da alta dos rendimentos reais dos Estados Unidos e do aperto da Fed.
- Se os fluxos para dívida em moeda local e fundos EM seguem apoiando os fatores técnicos de EM.
- Momentum de preços ao produtor, energia e CPI como sinais para política de bancos centrais EM.
- Execução fiscal, planos de financiamento e oferta de títulos em Colombia, Poland e outros mercados de alto déficit.
- A âncora fiscal e a acumulação de reservas da Argentina antes de maiores amortizações externas em 2027.
- Recuperação da produção de petróleo, investimento estrangeiro, participação do IMF e cronograma de reestruturação da Venezuela.
- Evolução de El Niño, condições de energia e inflação em Ecuador e Zambia.