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Interpretação do relatórioHilo Research

Brazilian rare earths industry and non-Chinese rare-earth supply chain: Projetos e apoio político no Brasil podem fortalecer a cadeia de terras raras fora da China

A Goldman Sachs resume atualizações de projetos de desenvolvedoras brasileiras de terras raras e explica por que o Brasil ganha importância estratégica na cadeia de suprimentos do Hemisfério Ocidental. O relatório destaca terras raras pesadas de alto valor, ambições de processamento local e políticas para reduzir a dependência do refino chinês.

InstituiçãoGoldman Sachs
Data20260929
SetorRare earth elements and critical minerals

Resumo

A Goldman Sachs resume atualizações de projetos de desenvolvedoras brasileiras de terras raras e explica por que o Brasil ganha importância estratégica na cadeia de suprimentos do Hemisfério Ocidental. O relatório destaca terras raras pesadas de alto valor, ambições de processamento local e políticas para reduzir a dependência do refino chinês.

Não há classificação, preço-alvo ou meta de preço para o tema principal do relatório.
Terras rarasBrasilMinerais críticosNdPrDisprósioTérbioArgilas iônicasDiversificação da cadeia de suprimentosControles de exportação da ChinaÍmãs permanentes
  • O Brasil possui as segundas maiores reservas mundiais de terras raras e busca beneficiamento doméstico em vez de exportações de minério bruto.
  • A China respondeu por cerca de 60% da produção global de minas de terras raras em 2025 e por aproximadamente 90% da capacidade global de separação e refino.
  • Brazilian Rare Earths, Meteoric Resources e Viridis Mining avançam projetos distintos de rocha dura e argilas iônicas.
  • O relatório apresenta separação e metalização, e não apenas mineração, como os principais gargalos estratégicos da cadeia de valor.
  • Pisos de preço, apoio a offtake e política industrial no Ocidente podem apoiar o desenvolvimento de oferta fora da China, embora execução e licenciamento continuem decisivos.

Interpretação do relatório

Visão geral

Este relatório de conclusões de conferência examina o papel emergente do Brasil em terras raras por meio de atualizações de projetos e de uma introdução ao setor. A Goldman Sachs argumenta que a base de recursos, os incentivos de política e o avanço rumo ao refino podem tornar o Brasil um polo relevante de oferta fora da China, embora execução, licenças, financiamento e capacidade de separação permaneçam restrições decisivas.

Visões principais

A Goldman Sachs posiciona o Brasil como candidato cada vez mais importante na cadeia de suprimentos de terras raras do Hemisfério Ocidental. O país possui as segundas maiores reservas mundiais e a National Policy on Critical and Strategic Minerals, Law No. 15,506/2026, de setembro de 2026, busca levá-lo de exportador passivo de minério a processador doméstico. A política inclui o Mineral Activity Guarantee Fund de BRL2 billion e créditos tributários até 2034. Contudo, o conselho interministerial CIMCE deve examinar mudanças de controle, certos contratos internacionais de offtake e operações com direitos minerais; portanto, maior supervisão estatal pode afetar a execução de transações e offtakes. O projeto de rocha dura Monte Alto, da Brazilian Rare Earths, na Bahia, está em fase de scoping study e prevê US$6 billion de NPV, aproximadamente US$970 million de capex e início downstream em 2031. A produção esperada é de 5.3ktpa de NdPr, com teor de 11.3% TREO e custo caixa equivalente de US$21/kg NdPr, comparado ao preço spot de US$110/kg citado pelo relatório. O plano combina classificação de minério e separação a seco na mina com processamento downstream em Camaçari; as vendas de concentrado podem vir 2-3 anos antes. Porém, o urânio aumenta a complexidade de licenciamento, e as regras brasileiras atuais limitam sua venda ao governo em regime cost-plus. O projeto de argilas iônicas Caldeira, da Meteoric Resources, tem US$1 billion de NPV, US$500 million de capex, vida útil de mina de 25 anos e meta de início em 2H28. A empresa informou 1.6Bt de recursos, 230Mt de reservas, teor de 0.4% e recuperação metalúrgica piloto de 80%. Espera produzir 3.7ktpa de NdPr e 122tpa de DyTb, a custo caixa de US$27/kg NdPr incluindo subprodutos. Garantiu 90% da produção por três contratos de offtake com Neo Performance, Ucore e POSCO, mas os preços ainda estão sendo finalizados. Após concluir o DFS em julho de 2026, espera licença de instalação em outubro de 2026, FID em 4Q26 e estrutura de capital de 60/40 ou 70/30 entre dívida e patrimônio. A separação no Brasil pode elevar margens e se alinhar à política, mas depende de parcerias, financiamento, licenças e execução da separação de terras raras pesadas. O projeto Colossus, da Viridis Mining, concluiu o DFS e mira início em 2028. O relatório cita US$1.2 billion de NPV, US$450 million de capex, vida útil de mina de 25 anos, produção de 2.8ktpa de NdPr e custo caixa de US$15.3/kg NdPr. As reservas de 200Mt, recursos de 473Mt, recuperação piloto de 80%, compras avançadas e parceria com a Solvay são fatores de suporte. A licença ambiental foi obtida em dezembro de 2025; a licença de construção é esperada em 4Q26 e a operacional em 2H28. O financiamento de capital de US$154 million foi concluído, ante US$135 million requeridos, e esperava-se suporte de dívida de US$315 million no curto prazo. A licença social é uma consideração pela proximidade a comunidades, embora a empresa planeje contratar localmente mais de 80% da força de trabalho. A introdução setorial argumenta que terras raras são abundantes geologicamente, mas comercialmente escassas porque separar elementos quimicamente semelhantes é muito difícil. Nd, Pr, Dy e Tb podem representar 80-95% da receita de um projeto típico em desenvolvimento, embora sejam apenas 20-25% das toneladas contidas. NdPr representa aproximadamente 45% da demanda de terras raras, impulsionado por ímãs. Dy e Tb são importantes para preservar o desempenho de ímãs NdFeB em altas temperaturas em motores de EV e sistemas de defesa; a proporção entre terras raras pesadas e leves costuma importar mais que a tonelagem nominal. Depósitos de rocha dura normalmente têm teores de 1-10% TREO, mas exigem britagem, moagem, flotação e decomposição química em alta temperatura, podendo gerar resíduos radioativos com tório ou urânio. Argilas de adsorção iônica têm teores muito menores, tipicamente 0.03-0.4% TREO, mas podem usar lixiviação com sulfato de amônio em temperatura ambiente e produzir carbonato misto de alta concentração com menor infraestrutura fixa. No Brasil, entretanto, a lixiviação in situ provavelmente não seria permitida devido ao escrutínio ambiental e hídrico; baixos teores podem elevar desafios de remoção, filtragem e tratamento de água. O relatório identifica a separação midstream como o principal gargalo. A separação de elementos individuais exige longas sequências de divisões binárias, potencialmente centenas ou milhares de estágios mixer-settler, química proprietária de reagentes e fluxogramas específicos para cada jazida. A separação de terras raras pesadas é ainda mais difícil. A China controla mais de 90% da capacidade global de refino, fabrica mais de 94% dos ímãs permanentes NdFeB críticos e respondeu por aproximadamente 60% da produção global de minas em 2025. Assim, refino e fabricação de ímãs, e não apenas mineração, são os gargalos estratégicos. Após as restrições chinesas à exportação, o mercado tornou-se mais administrado por políticas. A China introduziu em abril de 2025 um regime de licenças para sete terras raras médias e pesadas. As medidas propostas em outubro de 2025, abrangendo cinco elementos adicionais e uma regra extraterritorial de minimis de 0.1%, permaneciam suspensas sob uma trégua diplomática com vencimento em 10 de novembro de 2026, mas os requisitos centrais de abril de 2025 seguiam vigentes. O prêmio de preço fora da China estimulou intervenções ocidentais: o Departamento de Defesa dos EUA ofereceu à MP Materials um piso de US$110/kg para NdPr por 10 anos, US$400 million em ações preferenciais conversíveis por participação de 15%, e compromisso de offtake de 10 anos e 100% para sua planejada fábrica de ímãs 10X. A Goldman Sachs conclui que a diversificação na Austrália, Estados Unidos e América Latina continua, mas desenvolver uma cadeia integrada da mina ao ímã demandará tempo e substituir a China será especialmente difícil no processamento de terras raras pesadas.

Estrutura de análise

O relatório combina comentários de executivos no Brazil Rare Earths Day com dados de projetos sobre reservas, teores, recuperações, custos, capex, financiamento, licenças e cronogramas. Em seguida, enquadra os projetos em uma análise da cadeia de valor de mineração, separação e fabricação de ímãs e usa evidências de oferta e demanda, política e estrutura de mercado para explicar a importância estratégica da capacidade de terras raras fora da China.

Notas metodológicas

  • Marco de análise setorialTransmissão entre elos da cadeia de valor

    Análise da cadeia de valor de terras raras

    O relatório acompanha o material desde a extração upstream, passando pela separação midstream, até a produção downstream de ímãs para mostrar por que refino e metalização, e não apenas mineração, determinam valor estratégico e risco de suprimento.

  • Marco de análise setorialMarco de oferta e demanda

    Modelo de oferta e demanda GS Rare Earth NdPrO

    A Goldman Sachs usa demanda projetada por ímãs e oferta regional para enquadrar o equilíbrio do mercado de terras raras no médio prazo, com EVs, energia eólica e outras aplicações de ímãs sustentando a demanda.

  • Métodos de avaliaçãoDCF (fluxo de caixa descontado)

    NPV de projetos e premissas de DCF sensíveis à política

    O relatório cita NPVs de projetos e afirma que premissas políticas e regulatórias se tornaram mais importantes que variáveis geológicas ou operacionais tradicionais na análise DCF de terras raras.

Mapeamento e comparação de ativos

Mapeamento estruturado da tese para ativos nomeados (pontos fortes, pontos fracos, pares e riscos).

  • Brazilian Rare Earths (ASX: BRE)
    Desenvolvedora do projeto de terras raras de rocha dura Monte Alto, na Bahia.
    Pontos fortes
    Teor reportado de 11.3% TREO, posicionamento de custo caixa no primeiro quartil, proximidade de infraestrutura e potencial de créditos de subprodutos de urânio.
    Pontos fracos
    Projeto em estágio inicial, com scoping study publicado em agosto de 2026.
    Comparação
    O relatório cita teor de aproximadamente três vezes o de Lynas e MP Materials e observa que vendas de concentrado podem criar uma via de fluxo de caixa mais cedo que projetos de argilas iônicas.
    Riscos
    Complexidade de licenciamento ligada ao urânio, necessidades de financiamento, execução de processamento e incerteza sobre regras de venda de urânio.
  • Meteoric Resources (ASX: MEI)
    Desenvolvedora do projeto de terras raras de argilas iônicas Caldeira, no Brasil.
    Pontos fortes
    Teor de 0.4% descrito como o mais alto do mundo para argilas iônicas, recuperação piloto de 80%, vida de mina de 25 anos e 90% da produção sob três contratos de offtake.
    Pontos fracos
    Financiamento, licenciamento e planos de separação local ainda estão em andamento.
    Comparação
    A rota de argilas iônicas evita grande parte do craqueamento de rocha dura, mas enfrenta desafios de manuseio de material de baixo teor e filtragem.
    Riscos
    Cronograma da licença de instalação, execução de FID e financiamento, finalização de preços de offtake e capacidade de separação.
  • Viridis Mining and Minerals (ASX: VMM)
    Desenvolvedora do projeto de terras raras de argilas iônicas Colossus, em Minas Gerais.
    Pontos fortes
    DFS concluído, recuperação piloto de 80%, custo caixa de US$15.3/kg NdPr, compras avançadas, financiamento de capital concluído e parceria de separação com a Solvay.
    Pontos fracos
    Aprovações de construção e operação, financiamento de dívida e processamento downstream ainda precisam ser concluídos.
    Comparação
    O relatório posiciona o projeto como desenvolvimento brasileiro de argilas iônicas relativamente avançado, com início previsto em 2028.
    Riscos
    Aprovação da licença de construção, financiamento de dívida, licença social perto de comunidades e execução de acordos de separação e offtake.
  • MP Materials (MP)
    Exemplo de formação de mercado de terras raras com apoio estatal nos EUA e suporte ao fornecimento downstream de ímãs.
    Pontos fortes
    O apoio do DoD dos EUA inclui piso de US$110/kg para NdPr por 10 anos, investimento de US$400 million em ações preferenciais e compromisso de offtake de 10 anos para a planejada fábrica de ímãs 10X.
    Comparação
    O relatório apresenta o acordo como modelo de financiamento de minerais críticos, e não como cobertura direta.

Dados principais

  • NPV de Monte Alto da Brazilian Rare EarthsUS$6 billionProjeto de rocha dura em fase de scoping study.
  • Produção de NdPr de Monte Alto5.3ktpaProdução esperada com teor de 11.3% TREO e custo caixa equivalente de US$21/kg NdPr.
  • NPV de Meteoric CaldeiraUS$1 billionProjeto de argilas iônicas com início previsto em 2H28.
  • Produção de NdPr de Meteoric Caldeira3.7ktpaTambém visa 122tpa de DyTb e custo caixa de US$27/kg NdPr incluindo subprodutos.
  • NPV de Viridis ColossusUS$1.2 billionProjeto de argilas iônicas com DFS concluído e início previsto em 2028.
  • Custo caixa de Viridis ColossusUS$15.3/kg NdPrCusto-alvo para produção de 2.8ktpa de NdPr.
  • Participação da China na capacidade de refinoc.90%Participação da capacidade global de separação e refino de terras raras citada no relatório.
  • Piso de preço do DoD dos EUA para NdPr da MP MaterialsUS$110/kgCompromisso de piso de preço por dez anos descrito como mecanismo de contrato por diferença modificado.

Impacto e implicações

O relatório indica que o valor das terras raras depende cada vez mais do acesso seguro a separação, metalização, offtake e apoio político, e não apenas da propriedade de minas. Projetos brasileiros podem adicionar oferta diversificada, sobretudo de terras raras para ímãs, mas sua contribuição estratégica depende de licenças, financiamento, capacidade local de processamento e produção oportuna de produtos separados de alta pureza.

Riscos

  • O licenciamento pode ser mais complexo para projetos com urânio ou tório, incluindo requisitos de monitoramento e resíduos radioativos.
  • Projetos brasileiros de argilas iônicas podem enfrentar restrições de filtragem, manuseio de baixo teor, tratamento de água e meio ambiente se a lixiviação in situ não for permitida.
  • Alcançar a pureza muito alta exigida para a separação local de terras raras requer transferência de tecnologia, conhecimento especializado e otimização de processo específica para cada jazida.
  • Os cronogramas dependem de licenças, FID, financiamento de dívida e capital, execução de construção e contratos de offtake vinculantes.
  • O domínio chinês no processamento e os controles de exportação podem restringir disponibilidade e elevar prêmios de preço para compradores fora da China.

Pontos a observar

  • Atualizações de recursos, avanços de viabilidade e licenciamento de Monte Alto no fim de 2026, incluindo possível reforma do mecanismo brasileiro de preços do urânio.
  • A licença de instalação esperada da Meteoric, o FID em 4Q26, a estrutura de financiamento e os termos finais de preço dos contratos de offtake.
  • A aprovação esperada da licença de construção da Viridis em 4Q26, a conclusão do financiamento de dívida e o avanço rumo às operações em 2028.
  • A implementação dos incentivos PNMCE do Brasil e o processo de revisão do CIMCE para transações e offtakes de minerais críticos.
  • Se a suspensão temporária das medidas chinesas de controle de exportação de outubro de 2025 será estendida além de 10 de novembro de 2026.

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