European and global steel market — Interpretação do relatório
O Deutsche Bank mantém visão construtiva para o aço: os preços europeus de HRC caíram marginalmente na semana passada, mas os spreads aumentaram com a queda do minério de ferro e do carvão, enquanto o novo regime de salvaguardas da UE apoia os preços ocidentais.
Resumo
O Deutsche Bank mantém visão construtiva para o aço: os preços europeus de HRC caíram marginalmente na semana passada, mas os spreads aumentaram com a queda do minério de ferro e do carvão, enquanto o novo regime de salvaguardas da UE apoia os preços ocidentais.
- O HRC alemão ficou em EUR715-725/t, queda de EUR2/t na semana, mas alta de EUR48/t desde o fim de junho após o início da nova ferramenta de salvaguardas.
- O spread de matérias-primas do HRC BOF alemão aumentou de USD280/t para USD296/t, permanecendo bem acima dos níveis de ciclo médio.
- O HRC dos EUA subiu USD4/t para USD1,295-1,310/t; o spread BOF alcançou USD781/t.
- O minério de ferro caiu para USD94-96/t e o carvão metalúrgico premium para USD210-220/t.
- A utilização das cotas da UE já era significativa em categorias importantes de aço em 10 de agosto.
Interpretação do relatório
Visão geral
Este Steel Spread Tracker analisa preços regionais do aço, spreads de custos de produção, matérias-primas e fluxos comerciais. O Deutsche Bank argumenta que a demanda permanece fraca na Europa, mas o novo regime de salvaguardas da UE, o CBAM e a queda dos custos de matérias-primas sustentam preços e margens do aço no Ocidente.
Visões principais
O momento de preços do HRC europeu pausou, mas não se reverteu. O HRC do norte da Europa caiu EUR2/t na semana para EUR715-725/t, enquanto os preços do sul da Europa ficaram estáveis em EUR715-725/t. Em dólares americanos, ambas as faixas subiram devido ao câmbio. Crucialmente, o HRC do norte da Europa já se recuperou EUR48/t desde o fim de junho, após o início da nova ferramenta de proteção comercial da UE em 1 de julho. O spread do HRC BOF alemão frente ao custo das principais matérias-primas aumentou para USD296/t, ante USD280/t na semana anterior, permanecendo significativamente acima dos níveis de ciclo médio; os spreads dos produtores marginais também continuaram acima desses níveis nas últimas semanas. Assim, o Deutsche Bank considera que as margens seguem resilientes apesar da demanda fraca e das preocupações geopolíticas no Oriente Médio. O relatório vê o novo regime de salvaguardas da UE como um importante suporte estrutural para o aço europeu. As cotas por país começaram imediatamente em 1 de julho, evitando o risco de que um início com cotas globais levasse os países a correr para preenchê-las antecipadamente. O Deutsche Bank caracteriza isso como uma mudança decisiva, pois o sistema busca limitar a participação de mercado das importações e reequilibrá-la entre importadores em favor de parceiros comerciais estabelecidos. Em 10 de agosto, a utilização de cotas já era relevante: 48% para HRC, 59-62% para chapas revestidas, 58% para placas, 63% para vergalhões e 53% para fio-máquina. A Turkiye havia usado toda a sua cota para a maior parte dos graus de aço carbono, exceto CR, e a Coreia do Sul também já havia usado uma parcela significativa de sua cota trimestral. A instituição espera que o regime de salvaguardas, junto com o CBAM, apoie uma recuperação sustentada dos spreads europeus. As condições do mercado americano continuaram mais fortes. O HRC dos EUA subiu USD4/t na semana para USD1,295-1,310/t, com prazos de entrega sólidos e disciplina de preços domésticos sustentando o sentimento. Os preços subiram USD301/t no ano. O spread BOF dos EUA frente às principais matérias-primas aumentou USD18/t na semana para USD781/t, e o spread EAF, HRC versus sucata, aumentou USD5/t para USD732/t. Os preços de placas caíram USD2/t para USD1,460-1,470/t, mas ainda acumulavam alta de cerca de USD375/t em 2026. Os sinais de preço e demanda na China foram mais fracos. O vergalhão doméstico caiu RMB21/t para RMB3,142/t, enquanto o HRC caiu RMB35/t para RMB3,242/t. Em três meses, o vergalhão caiu RMB156/t e o HRC, RMB243/t. Os preços de exportação chineses de HRC ficaram em USD475-485/t, queda de USD1/t na semana; considerando custos de transporte e a tarifa Section 232 de 50%, isso implica preço de paridade nos EUA de USD870-890/t. Preços chineses de aço mais baixos e demanda moderada fazem parte da cautela do relatório quanto ao contexto de demanda global. A queda das matérias-primas melhorou o contexto de custos do aço. O minério de ferro fino (62% Fe) caiu USD3/t para USD94-96/t na semana e acumulou queda de USD16/t em três meses, pois a demanda por aço permaneceu moderada. O carvão metalúrgico premium caiu USD14/t para USD210-220/t. A sucata dos EUA ficou estável em USD360-370/t, enquanto a sucata europeia caiu USD1/t para USD325-340/t. A redução dos custos de minério e carvão explica por que os spreads puderam aumentar mesmo com a pausa nos preços europeus do aço. Em ações, o Deutsche Bank mantém visão construtiva para o setor e identifica Voestalpine, thyssenkrupp e Aperam como nomes preferidos. Para a Voestalpine, cita geração estável de fluxo de caixa livre apesar do pico de capex de descarbonização, potencial de autoajuda e um negócio de infraestrutura ferroviária subavaliado. Para a thyssenkrupp, a tese se baseia em possíveis catalisadores e ventos favoráveis de políticas para o aço. Para a Aperam, o relatório destaca potencial de reversão, perspectivas de crescimento orgânico, forte geração de fluxo de caixa livre em ciclo médio e retornos aos acionistas.
Estrutura de análise
O tracker compara preços regionais de venda de aço com custos de caixa estimados de BOF e EAF para avaliar spreads e condições de margem. Em seguida, relaciona esses spreads aos movimentos de matérias-primas, mudanças de preços regionais, política comercial, utilização de cotas e estatísticas de importação, usando também considerações específicas de avaliação e fluxo de caixa para suas ações preferidas.
Notas metodológicas
Acompanhamento regional de spreads entre preço e custo
O relatório compara preços de HRC e de outros aços com custos de caixa baseados em matérias-primas e sucata para mostrar como preços de venda e custos de insumos afetam as margens dos produtores.
Análise de oferta, demanda e política comercial
Relaciona demanda fraca, cotas de importação, proteção comercial e preços de matérias-primas aos preços regionais do aço e aos spreads.
Avaliação baseada em DCF
O Deutsche Bank afirma que utiliza avaliação por fluxo de caixa descontado entre as metodologias aplicadas às empresas siderúrgicas sob cobertura.
Análise de soma das partes
O relatório afirma que também utiliza análise SOTP, que avalia componentes de negócio separados em vez de tratar uma empresa como uma operação única e indiferenciada.
Mapeamento e comparação de ativos
Mapeamento estruturado da tese para ativos nomeados (pontos fortes, pontos fracos, pares e riscos).
- Voestalpine (VOES.VI)Ação preferida de aço carbono
- Pontos fortes
- Geração estável de fluxo de caixa livre apesar do pico de capex de descarbonização, potencial de autoajuda e um negócio de infraestrutura ferroviária subavaliado.
- Pontos fracos
- O pico de capex de descarbonização é uma carga operacional apontada.
- Comparação
- Descrita como a história de ações mais sólida entre as principais escolhas de aço carbono.
- Riscos
- Sujeita aos riscos setoriais do relatório, incluindo preços do aço, custos, crescimento e política.
- thyssenkrupp (TKAG.DE)Ação preferida de aço carbono
- Pontos fortes
- Possíveis catalisadores e ventos favoráveis de políticas para o aço.
- Comparação
- Incluída entre as principais escolhas de aço carbono do Deutsche Bank.
- Riscos
- Sujeita aos riscos setoriais do relatório, incluindo preços do aço, custos, crescimento e política.
- Aperam (APAM.AS)Ação preferida de aço inoxidável
- Pontos fortes
- Potencial de reversão, perspectivas de crescimento orgânico, forte geração de fluxo de caixa livre em ciclo médio e retornos aos acionistas.
- Comparação
- Nome preferido em aço inoxidável.
- Riscos
- Sujeita aos riscos setoriais do relatório, incluindo preços do aço, custos, crescimento e política.
Dados principais
- Preço do HRC alemãoEUR715-725/tQueda de EUR2/t na semana; o preço do norte da Europa subiu EUR48/t desde o fim de junho.
- Spread do HRC BOF alemãoUSD296/tSubiu de USD280/t na semana anterior e está significativamente acima dos níveis de ciclo médio.
- Preço do HRC dos EUAUSD1,295-1,310/tAlta de USD4/t na semana e de USD301/t no ano.
- Spread do HRC BOF dos EUAUSD781/tAlta de USD18/t na semana.
- Minério de ferro fino (62% Fe)USD94-96/tQueda de USD3/t na semana e de USD16/t em três meses.
- Carvão metalúrgico premiumUSD210-220/tQueda de USD14/t na semana.
- Utilização da cota de HRC da UE48%Utilizada em 10 de agosto sob o novo regime de salvaguardas.
Impacto e implicações
O relatório argumenta que a proteção comercial e o CBAM podem sustentar spreads europeus mais fortes entre preços e custos mesmo com demanda fraca, enquanto a queda das matérias-primas dá suporte adicional às margens. Ele contrasta isso com preços e margens muito mais fortes nos EUA e preços do aço mais fracos na China.
Riscos
- O crescimento econômico global pode não atender às expectativas.
- Os preços do aço podem ser menores ou maiores do que o esperado, erodindo ou impulsionando os lucros.
- Os custos de matérias-primas e outros custos operacionais podem ser maiores ou menores do que o esperado, limitando ou ajudando o crescimento dos lucros.
- A influência política dos governos sobre o comércio de aço pode afetar o setor.
- Projetos de expansão podem não avançar conforme esperado.
- Riscos de avaliação e integração de M&A podem afetar as empresas.
Pontos a observar
- A demanda europeia por aço e os desdobramentos no Oriente Médio.
- A implementação e a utilização das cotas de salvaguarda da UE por país.
- O efeito do CBAM e da proteção comercial sobre preços e spreads europeus.
- Movimentos de preços de minério de ferro, carvão metalúrgico e sucata.
- Prazos de entrega, disciplina de preços domésticos e spreads de HRC nos EUA.
- Preços domésticos e de exportação do aço chinês e a demanda implícita.